Por Pablo Mayer
| — | Rogério Ceni |
Rogério Ceni narra reportagem e registra milésimo jogo com sua própria voz
Por: Marcelo Junior, Globoesporte.com O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) fez nesta quinta-feira no Plenário do Senado discurso em homenagem ao goleiro do São Paulo, Rogério Ceni, pelos mil jogos realizados com a camisa do time. Ceni atingiu a marca na vitória do São Paulo por 2 a 1 contra o Atlético-MG, no Morumbi, nesta quarta-feira. O senador contou um pouco da história de Ceni no São Paulo e lembrou dos títulos obtidos pelo time tendo Rogério no gol. Suplicy também falou de uma das marcas mais famosas atingidas por Ceni na carreira - a de goleiro-artilheiro. - Rogério Ceni é o maior goleiro-artilheiro na história do futebol mundial. Sua precisão nas cobranças é enorme, tendo se tornado o goleiro com o maior número de gols marcados na história do futebol. Atualmente, esta marca está em 103 gols. Santista, Suplicy disse no discurso que o jogador - ídolo da torcida tricolor - é um exemplo de ser humano e de atleta e lembrou que ele é o terceiro brasileiro a atingir a marca dos 1000 jogos por um time, se igualando a Pelé (Santos) e Roberto Dinamite (Vasco da Gama). - Juntamente com todos os apaixonados pelo futebol, como torcedor do Santos Futebol Clube, também desejo homenageá-lo, assim como fez a torcida são-paulina, pelo exemplo de atleta e de ser humano que é Rogério Ceni para todos nós brasileiros, sobretudo para os jovens.
A preparação.
http://www.saopaulofc.net/noticias/noticias/fotos/2011/9/8/bastidores-do-dia-historico-no-morumbi/
Calma, são-paulino. Respire.
O título acima não é uma sugestão para o goleiro que só o seu time tem. É uma sugestão para o clube.
A conversa sobre quem é o jogador mais importante da história do São Paulo é infinita. Depende da impossível comparação entre eras, e dos sentimentalismos – no bom sentido – de cada geração. Leônidas, Pedro Rocha, Raí, Rogério Ceni… todos merecem um lugar no Olimpo tricolor.
A conversa sobre quem é o goleiro mais importante da história do São Paulo acabou. Já faz algum tempo, vale dizer. Mas o que aconteceu ontem no Morumbi funciona como um epílogo de gala. Todos os títulos possíveis (você não acha que a taça da Copa do Brasil faz falta, acha?), mais de duas décadas no clube, cento e tantos gols marcados, mil jogos. Caso encerrado.
E como se homenageia alguém que, além de tantos números significativos, está envolvido em todas as alegrias recentes vividas pelo são-paulino? Como se agradece a alguém que simboliza e representa o sentimento de torcer pelo São Paulo como nenhum outro jogador? Como se eterniza o período em que a escalação do time, ano após ano, começou com o nome dele?
Com uma festa para 60 mil pessoas num feriado nacional. Com uma logomarca criada especialmente para a ocasião. Com um kit comemorativo para quem foi ao jogo. Com mil crianças entrando em campo junto com o ídolo. Com a ideia de mudar o nome do estádio por 24 horas. Com um busto no museu. Tudo isso é bom, apropriado, mas de certa forma, obrigatório.
O que o São Paulo tem de fazer é simples: aposentar a camisa 1. Garantir que ninguém jamais usará esse número depois que Rogério parar. Associá-lo eternamente a um goleiro, e a mais nenhum outro. Os são-paulinos atuais se orgulharão da iniciativa, que é importante também para os são-paulinos do futuro, os que não viram Rogério jogar. Pense num garotinho perguntando ao pai, daqui a cem anos, por que a camisa do goleiro do São Paulo é diferente da dos outros times.
Não haverá outro. Se houver, não ganhará os mesmos títulos. Se ganhar, não marcará tantos gols. Se marcar, não jogará tantas partidas. E se jogar, que o clube aposente outro número.
O 1 tem de parar com Rogério.

